uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Pela valorização da maternidade

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Muitas de nós, ao se tornarem mães, decidiram parar de trabalhar, ou diminuir a carga horária e ‘encolher-se profissionalmente’, ou mesmo dar um rumo totalmente novo à carreira, visando priorizar o tempo para os filhos, e a presença constante nessa primeira infância, tão importante na formação dos pequenos.

Eu faço parte desse grupo. Depois de ser mãe, reinventei minha vida profissional, encontrei novas possibilidades e novos caminhos, porque ter tempo para me dedicar a elas e cuidá-las, orientá-las e educá-las de acordo com o que acredito, passou a ser uma prioridade.

E falando por experiência própria, arrisco dizer que grande parte, senão todas as mulheres que tomaram decisões semelhantes tiveram que lidar  com críticas impiedosas, narizes torcidos e comentários em tom de reprovação, do tipo: ‘tem certeza que quer parar de trabalhar/mudar de trabalho e centrar a sua vida no seu filho??’, ou ‘e tudo o que você estudou e se preparou, vai jogar na lata do lixo??’, ou ainda: ‘vai ficar em casa agora, ser só mãe??’.

Por trás de comentários como esse, especialmente dessa perguntinha tão inocente, “vai ser só mãe?”, está uma sociedade intransigente e incompreensiva, uma sociedade ainda extremamente preconceituosa e machista quando se trata de respeitar os direitos e as escolhas das mulheres. Lutamos pela igualdade, mas o que conseguimos foi um acúmulo injusto de funções: se antes não tínhamos opção e ficar em casa era a fatia do bolo que nos cabia, hoje temos que trabalhar fora, ajudar nas contas, cuidar dos filhos e da casa, e dar conta de tudo isso sorrindo, sem reclamação, afinal, não fomos nós que quisemos e lutamos pela igualdade??

Bem, desnecessário dizer que igualdade, nessa história, é conversinha pra boi dormir, né? Infelizmente, ainda estamos longe de viver em uma sociedade verdadeiramente igualitária, nesse sentido (e em muitos outros). Por isso que achei tão bacana esse movimento de valorização da maternidade, uma causa importantíssima, justa, e que eu apóio, como mulher e como mãe.

Acho que valorizar esse trabalho tempo integral, exaustivo – e sim, delicioso, maravilhoso, mas não por isso menos exigente – que é a maternidade é um importante primeiro passo para a transformação efetiva da realidade. Seja respeitando a escolha daquelas que decidem dedicar mais tempo aos pequenos, seja compreendendo aquelas que dão o melhor de si ao equilibrar múltiplas funções, seja acolhendo as insatisfações e culpas que surgem quando tentamos dar conta de tudo. Afinal, nós, que somos mães hoje, temos nas mãos um papel fundamental, o de construir um futuro diferente, pela forma como criamos nossos filhotes. Nosso amanhã depende de como tratamos e educamos nossas crianças hoje, afinal, já dizia Gandhi: ‘se há de haver paz no mundo, devemos começar pelas crianças”.

É por isso que hoje vim recomendar esse manifesto, pra mim, obrigatório para parar pra pensar e remexer conceitos empoeirados. Eu já assinei. Claro que isso é muito pouco, e é por isso que eu vou fazendo minha parte para mudar as coisas, todos os dias, em pequenas e grandes atitudes. Especialmente na forma como estou presente na criação das minhas filhas, para que elas cresçam pensando diferente, com condições de agir e mudar alguma coisa.

E afinal, toda jornada começa com um primeiro passo, não é mesmo?

Imagem: Grupo Cria

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Publicado em 7 de julho de 2010 por .

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