uma vez mamífera

… sempre mamífera.

9 anos, uma idade bonita

ana8anosP-35

Fui escrever, na minha página do facebook, uma coisinha curta acontecida aqui em casa, com a filhota mais velha. Na hora de colocar a idade da pequena, nem pensei: 9 anos. Não me dei conta que, para o nono aniversário da bichinha – e claro, da sua irmã gêmea também – ainda falta pouco menos de um mês. Senti-me já, sem pensar a respeito, confortável com uma filha de 9 anos. Estarei me apressando para vê-las crescer?

Ser mãe de três filhas, uma totalmente diferente da outra, cada uma delas encantadora a seu modo, com sua personalidade incomparável e caminhando pela vida de um jeito só seu, com ritmo e cadência próprios, tem sido sempre uma aventura. Monotonia é coisa que não existe: a cada nova fase, minhas meninas me sacodem da zona de conforto, obrigam-me a pensar e repensar conceitos, a reavaliar escolhas, a questionar valores, certezas, prioridades. Tudo, para fazer sentido, tem que ser revisto à luz do instante. E essa não é, afinal, a grande sacada da vida?

A experiência mistura um bocado de cada coisa: é desafiadora, instigante, divertida, exigente, trabalhosa, rica, feliz. Tudo junto, e tudo muito. É intenso. Nada de monotonia, lembrou?

Por mais clichê que seja dizê-lo – e sei que é, bastante -, as crianças crescem rápido demais. No tempo da gente piscar os olhos, suspirar, dar uma boa gargalhada ou derramar uma lágrima. Daqui do nosso canto, arqueando as asas atrevidas de galinha-mãe, a gente quase nunca está preparada para assimilar essa velocidade impiedosa. Mas cadê que isso importa? A gente engole em seco e continua, porque eles estão indo sempre em frente, sempre adiante.

E é assim que, a cada novo aniversário das filhas, eu me vejo afogada numa mistura pantanosa de saudade, nostalgia, orgulho, assombro, alegria e amor. As medidas da equação vão se transformando, ano após ano: às vezes, a saudade é maior do que tudo; outras vezes, a alegria de perceber aquelas criaturinhas nascidas de mim e tão amadas crescendo por si e ocupando todos os espaços possíveis sem aceitar menos do que merecem ocupa todos os espaços, sem dar chance para quaisquer outros sentimentos; já o amor, bem – este está sempre presente, sempre reluzente, permeando cada suspiro, cada lágrima, cada sorriso e cada brilho no olhar.

Este ano, minhas mais velhas completam 9 anos de vida. Quase, quase uma década. Daqui a alguns dias, menos de um mês. Diante dos meus olhos quase sempre marejados, as mocinhas que elas serão quando abandonarem de vez a fase da vida que convencionamos chamar de infância vão tomando corpo, ganhando jeito, crescendo, aparecendo e contando a que vieram.

E puxa, tanta coisa muda! Tudo se revira e revoluciona, enquanto elas procuram novos jeitos de ser e sentir o mundo e as coisas, enquanto se re-acomodam em si mesmas, enquanto se descobrem neste novo momento da vida. Têm novos olhares sobre os detalhes de todos os dias, sobre as delicadezas da vida. Tateiam pensamentos frescos, recém-nascidos diante do mundo. Descobrem novas maneiras de colocar-se diante do outro, de dizer o que acham das coisas, de relacionar-se comigo, com o pai, com as irmãs, com a avó, o tio, os padrinhos, com o pessoal da escola, com os amigos.

Esforço-me todos os dias para conhecê-las de novo, para abrir-lhes os braços para que possamos juntas desvendar o mistério. O mistério delas, o meu mistério. O mistério da gente que, por estar viva, nasce para o novo a todo instante. Todos os dias, descubro delas (e de mim, como bonita consequência) algo que não sabia, e isso me alegra. Estamos nos re-conhecendo.

Por isso, e por ser tudo isso tão inteiro e intenso e exigir da gente tanto mergulho e tanta coragem diante do desconhecido, é que tenho experimentado esta transição com mais alegria do que nostalgia. Volto o pescoço, vez ou outra, para olhar os anos que ficaram para trás e, é claro, tenho saudades. O que é bom fica grudado na gente, fica marcado na pele, no fundo dos olhos. Mas tenho descoberto, aqui no que tenho agora debaixo das vistas neste exato recorte da história que escrevemos juntas, tanto motivo para maravilhar-me e libertar meu sorriso mais branco, que todo o resto parece, curiosamente e quase que por encanto, apequenar-se.

Penso que já estou acostumada a ser mãe de meninas de 9 anos. Ao menos um pouco. Embora ainda não o seja – por ora, é apenas um ensaio.

Como é bonito, isso de ver um filho crescer.

 

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3 comentários em “9 anos, uma idade bonita

  1. mafe
    21 de maio de 2014

    minha filha ao fazer 11, me proporcionou um sutil choque: ela já tinha todos os dentes permanentes. Sim. Aqueles dentes que me riam segurando o mamilo, já eram. Foram várias batalhas até perde-los, todos, e nascer outros, mais fortes, bonitos e… permanentes? Como boa índia, eu queria fazer um colar com todos os dentinhos dela que tinha guardado. No dia do aniversário dela, apresentei essa música ao seu repertório, no violão… um beijo, Rê.

  2. Jaqueline Lima
    8 de julho de 2014

    Descobri seu blog hoje e estou fascinada com a delicadeza de cada post. É bom de mais “encontrar” pessoas assim, meio que por acaso, nesse mundão que é a rede.
    Jaqueline Lima
    http://verdemamae.blogspot.com.br/

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Publicado em 30 de abril de 2014 por e marcado , , , , .
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