uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Da responsabilidade de ser feliz

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Um dia desses, eu assistia um filme qualquer na televisão. Em uma cena, uma personagem, grávida do primeiro filho, dizia algo assim: ‘quando você tem um filho, tudo muda. de repente, o importante é fazer o que é mais seguro, e não o que vai te fazer mais feliz’. Essa idéia ficou ecoando na minha cabeça, pelo resto do dia.

Eu faço parte daquele grupo de esperançosos incorrigíveis que acreditam na felicidade. Chamem-me  brega, inocente ou o que for, mas eu gosto de cultivar esse sentimento bom de esperança e crença na vida, que me faz acreditar que o ser humano é bicho talhado para a alegria. É claro que isso não significa que a gente não tenha que assumir as nossas responsabilidades, ou pensar nas consequências das nossas decisões e escolhas. Mas se não sobra espaço para a gente curtir e ser feliz no processo, pra mim, perde o sentido.

É fato que os filhos trazem necessidades para a vida diária, prioridades que não podemos adiar ou deixar de lado. Uma série de coisas que estariam em segundo plano se estivéssemos sozinhos, cuidando apenas da nossa própria vida, passam a ser muito importantes. A disponibilidade para mudanças radicais, imediatas, também diminui. Com um filho no colo, não dá para colocar uma mochila nas costas da noite para o dia e ir passar seis meses meditando na Índia, buscando encontrar as respostas para as grandes questões da vida, não é mesmo?

Mesmo assim, eu acredito – e busco trazer essa crença para a minha vida diária, nas pequenas e grandes atitudes – que a gente não pode desistir de encontrar o nosso caminho, aquele que nos realiza, que nos faz feliz. Seja pessoalmente, profissionalmente, ou em qualquer outra esfera da nossa vida. Muito menos colocar sobre os nossos filhos a responsabilidade por desistir dos nossos sonhos. É um peso que ninguém merece carregar.

Com ou sem filhos, eu acho que não se pode deixar de acreditar que as coisas são possíveis. Sempre é tempo para mudar de caminho, escolher outra estrada, se a que estamos trilhando não estiver trazendo felicidade.

Talvez seja preciso realinhar rotas, redefinir metas, refazer os planos. Talvez a gente precise descobrir novos sonhos para sonhar. Afinal, a gente muda o tempo todo, deixa de querer o que queria antes para querer coisas novas, e isso faz parte da maravilha de estar vivo.

Talvez, as mudanças não possam ser tão radicais, nem tão imediatas. Talvez seja preciso um olhar mais cuidadoso, fazer as coisas com mais calma, mas não é preciso deixar de correr atrás da transformação, se você sente que ela é necessária. Se o trabalho que você faz hoje não te realiza, você não precisa pedir as contas logo de cara, pode começar a pensar em novas possibilidades, abrir caminhos, criar um horizonte de mudança e, pouco a pouco, plantar sementes de transformação. Se o casamento não está bom, talvez não seja questão de jogar tudo para o alto da noite para o dia. Talvez, você possa parar para pensar no que não está dando certo, talvez valha a pena tentar mais um pouco. Ou talvez não. Talvez seja mesmo o caso de partir para uma nova história, e se for esse o caso, você tem o direito de fazê-lo. E assim por diante, em todas as esferas da sua vida. Escrever uma história mais feliz só depende de você.

Ter filhos não deveria servir de desculpa para a gente se acomodar na insatisfação, na infelicidade, para deixar de lado os sonhos e a busca por viver histórias que nos realizem. De uma coisa, não tenho dúvidas: mais do que uma vida aparentemente estável e segura, uma criança precisa de pais felizes. Só pais felizes criam filhos felizes.

Quando colocamos um filho no mundo, assumimos diante desse ser tão indefeso uma série de responsabilidades, muitas delas práticas, imediatas. Mas talvez a maior delas seja a responsabilidade que temos de ensiná-los que a vida está aí pra gente ser feliz. Que viver não é sinônimo de sacrifício, nem de sofrimento. Que podem – e vão – haver tropeços, tristezas, desvios, e que a dor faz parte da vida, mas a regra é a alegria. E isso, mais do que pelo discurso, a gente ensina é pelo exemplo.

Eu quero ver minhas filhas felizes. E quero ser feliz também. E que juntas, possamos ter sempre a certeza de que a vida, seja como for, é como dizia a canção: ‘é bonita, é bonita e é bonita’.

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2 comentários em “Da responsabilidade de ser feliz

  1. maejuanajcs
    24 de fevereiro de 2015

    “Poema da Filha” ,de Glória Horta:
    “Minha filha, eu quero ser um bom exemplo.
    Nunca de perfeição, nem de coerência.
    Nunca de bom comportamento e normalidade,
    mas de originalidade e amor.
    Você, e só você,
    poderá gerar todas as minhas sementes.
    Fazer brotar a nosso redor,
    até onde a vista alcança,
    vestígios de um mundo melhor.
    Quero te ensinar a amar a liberdade.
    A arrancar a felicidade possível
    que existe por trás das cortinas e dos padrões.
    Minha filha, eu quero ser um bom exemplo
    e só tem um jeito: eu ser feliz.”

  2. casacombebe
    6 de março de 2015

    Que lindo esse texto! Adorei! Acho que um filho sempre nos trás um novo olhar pras coisas e nos abre um novo mundo, com inúmeras possibilidades, e só depende de nós e das nossas escolhas como vamos lidar e enxergar tudo isso. No meu caso meu mundo ficou muito mais amplo! Um beijo!

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