uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Qual o equilíbrio que você quer?

O papo é sobre a mesma coisa, e também não é. Eu hoje quero falar de radicalismo.

Mas não pra dizer que eu sou radical com muito orgulho, nem para definir etmologicamente o que é o tal do radicalismo, provando por A + B que (óóh! vejam só!) ser radical, por si só, não é algo negativo, até pelo contrário.

Mas não. Meu olhar hoje é outro. O que proponho pensar: radicalismo para quem? Sob que ótica? De que ponto de vista? Quem define as regras?

Falam-me muito em equilíbrio. Nas rodas de conversa maternas por aí, nos grupos de discussão, esta é uma palavrinha de presença fácil, vira e mexe retorna, já anda até meio surrada, pobrezinha. Bem, lançar mão da palavra qualquer um faz – já definir a que ela se refere é outra história, bem diferente.

Para que se possa falar em equilíbrio, em comportamento equilibrado e, por oposição, em comportamento radical, ou ‘extremado’, é preciso que se trace uma linha: aqui está o tal ‘caminho do meio’, e quem daqui se afasta, se aproxima dos extremos – portanto, é radical.

Aí eu pergunto: quem traça essa linha? Quem define onde é o meio? Quem toma para si o direito de definir, para todas as outras pessoas do mundo, onde mora o equilíbrio, e em como avaliar os demais partindo deste ponto?

Essa linha, meus caros, é imaginária. E tênue. E mutável. Porque o ser humano é plural, é cheio de idiossincrasias, é moldado em sua história de vida, e olha o mundo de um lugar próprio, uma mistura de suas experiências passadas, suas crenças e descrenças, seus preconceitos (que todos temos, aham!), suas alegrias e tristezas, seus sonhos realizados, suas decepções, suas perdas e ganhos.

Então a verdade é que, quando eu falo de equilíbrio, estou falando de mim: este é o MEU ponto de equilíbrio, e a partir dele eu só posso traçar conceitos sobre o que seria um comportamento radical se me refiro a mim mesma: ‘se eu fizesse isso e me comportasse assim ou assado, estaria sendo radical, dentro da MINHA forma de ver o mundo, porque o MEU ponto de equilíbrio está lá, bem distante disto aqui’.

O que é radicalismo para mim, pode ser o ponto de equilíbrio do outro, e vice-versa. Se eu faço escolhas que funcionam e fazem sentido dentro da minha história de vida, das minhas prioridades e valores, este é o meu caminho do meio. Que pode ser igual ao seu, pode ser um pouco diferente, ou completamente oposto. Nada disso precisa ser um problema – só o será se assim o considerarmos.

Notem que não me refiro a uma tentativa de encontrar consenso entre duas pessoas com pontos de vista específicos – neste caso, poderíamos considerar um ponto de equilíbrio imaginário e relativo, que se refere especificamente a estes dois pontos contraditórios. Mas falo aqui de outra coisa: refiro-me à impossibilidade de definir um ponto de equilíbrio único, uma linha definitiva que separa o comportamento equilibrado daqueles que não o são – esta linha só existe quando pensada em relação a alguma coisa, nunca de modo absoluto.

E aí chegamos, mais uma vez, àquela palavrinha bonita, que esconde por trás de si um conceito mais bonito ainda: respeito. A base de tudo. Respeite as escolhas do outro e não rotule. Ele está vivendo a vida dele, e não a sua.

É, eu disse desde o começo que era sobre a mesma coisa. Ou não.

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