uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Temos nosso próprio tempo

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Bebês devem sentar com seis meses. Bebês devem engatinhar com oito meses. Bebês devem andar com um ano. Bebês devem começar a falar com um ano e meio. Crianças devem ser alfabetizadas aos cinco anos. E daí por diante.

Quadrados. Escaninhos fechados, etiquetas que colamos nas crianças sem olhar para elas pelo que são: indivíduos únicos, especiais, cada um dotado de possibilidades e limitações que só dizem respeito a si mesmos.

O tempo é matéria moldável. Não existe um tempo único para fazer as coisas sob o sol. Há o meu tempo, há o seu tempo, há o tempo de cada criança para abrir os olhos para as coisas do mundo. Se a gente respeita, espera, aguarda, observa, as coisas acontecem.

A criança sentará, engatinhará, andará, comerá, falará, lerá e escreverá em um tempo que é só seu. Não pertence a nós, pais e cuidadores. Pertence a ela, a criança. É único. Não aceita condução. A condução é uma violência.

Não falo obviamente de patologias, estas exigem atenção e cuidado pontual, que um cuidador atento estará pronto para oferecer, se necessário. Falo daquilo que muda conforme aquilo que somos, da forma incomparável que temos, cada um de nós, para fazer as coisas, para ver e viver a vida. Falo daquilo que nos torna pessoas.

A criança é aquilo que é. Faz as coisas a seu tempo, absorve o mundo a seu modo, e a nós cabe um olhar respeitoso, de acolhimento, um olhar que não julga, apenas compreende e aceita que a criança é como é.

Quando seu filho for um adulto, fará diferença ter começado a engatinhar aos seis meses, ou aos oito, ou com um ano? Será importante ter começado a andar com um ano, ou um ano e meio, ou um ano e nove meses? Terá algum peso ter começado a ler com quatro anos, ou com seis, ou com oito? Certamente que não.

O que fará toda a diferença será aquilo que ele terá guardado (ou não) dentro de si: a sensação doce e acolhedora de ter sido olhado, respeitado, compreendido e aceito em sua integridade, com todos os seus poréns, com suas dificuldades e talentos próprios, com tudo aquilo que lhe caracteriza como alguém único no mundo, sem prestar-se a comparações com quem quer que seja.

Isso é o que fará dele uma pessoa feliz. O resto, é acessório.

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6 comentários em “Temos nosso próprio tempo

  1. Luciana Nascimento
    26 de maio de 2015

    Lindo texto 😀 Adorei!

  2. Luciana
    26 de maio de 2015

    Parabéns pelo belo texto! Passei por muita aflição por um atraso na fala do meu filho e aprendi exatamente o que você escreve aqui. Todos deveriam ter em mente que cada um de nós é mesmo único e tem seu tempo certo pra tudo! 😊😘

  3. Beatriz Lobato
    27 de maio de 2015

    Lindo o texto. Apesar de você ter falado que não estava incluindo patologias, eu gosto de lembrar que grandes demorar podem ser sinais delas. Mas que mesmo assim você não deve comparar as crianças do jeito o filho do amigo tal engatinhou com seis meses, mas que com seis o seu sentou. no Sentido de estar evoluindo, mas no seu próprio tempo.

  4. lelepax
    9 de junho de 2015

    Concordo plenamente!

  5. Natalie Catuogno Consani
    19 de junho de 2015

    isso! o respeito começa exatamente daí, de entender que cada um vivencia as experiências à sua maneira, e que essa é justamente a beleza de sermos humanos, não robôs. as expectativas sobre o outro são violentas, e muitíssimo mais violentas ainda são as diversas formas que pais, escola, sociedade etc encontram para adequar os outros (especialmente as crianças) a essas expectativas. por uma vida mais vivida e menos enquadrada, por favor! 😉

  6. Cristiane lima
    8 de julho de 2015

    Lindo texto!

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