uma vez mamífera

… sempre mamífera.

6 anos, e todo amor que houver nessa vida

CHIARA6anos2-1
“quero aprender com teu pequeno-grande coração” *

E então, você fez seis anos.

Já faz uns dias, mas desde então a vida veio num frenesi de coisas a fazer e providências a tomar e demandas diárias para dar conta – bem, assim do jeitinho que ela costuma ser todos os dias -, e não me restou tempo de sentar e falar sobre, deixando o coração ditar as palavras.

Seis anos, minha menina-que-não-é-mais-bebê (palavras suas, embora em outros momentos você diga que vai ser a minha bebê até os 100 anos!). Seis anos desde que você veio fazer morada dentro de mim, sem pedir licença e sem perguntar se podia ser.

No momento mais impensável, mais caótico, mais improvável, você veio: eu voltando a trabalhar num ritmo mais organizado, depois da pausa para estar bem perto das suas irmãs mais velhas, nos primeiros anos de vida delas; a gente mergulhado em dívidas até o pescoço, reformando a casa comprada havia quase um ano e resolvendo pepinos com pedreiro, encanador, eletricista, arquiteto, vizinho; eu saída de uma catapora brabíssima, que você enfrentou com valentia já dentro de mim e eu nem sabia.

Tudo dando o contra, e você veio, assim, chutando a porta e chegando de uma vez só, toda definitiva. Do seu jeitinho, espaçosa como é até hoje. Teu pequeno-grande coração encontrando lugar para se fincar e permanecer.

Entre tantas outras coisas, você veio ensinar que a vida é susto, é espanto, é pé de vento e é assim: acontece. À revelia de tudo aquilo que a gente planeja, arredonda, quer fazer caber direitinho nas expectativas, no molde, na forma. A vida vem, e derruba a gente de cima dos nossos planos. A gente beija a lona e quando vê, está vivendo uma coisa tão bonita como a gente jamais poderia ter imaginado, nem mesmo nos nossos planos mais ousados, aqueles que a gente achava impossíveis de acontecer.

Foi assim e tem sido assim com você na nossa vida, minha bichinha: puro susto, todos os dias. E a vontade de aprender a deixar ser, a libertar, a abrir os braços e deixar que a vida aconteça. Como tem de ser. Num tempo que a gente não entende, não alcança – mas que não foi feito pra gente entender nem alcançar, apenas apreciar. De coração marejado, porque é uma sorte grandiosa demais.

Obrigada, meu amor. Por todos os sustos. E por todo amor que você plantou por aqui. Em mim, no teu pai, nas tuas irmãs, e em todos que têm a sorte de olhar nos teus olhinhos sorridentes de jaboticaba, e ganhar de ti esse sorriso rasgado que vale uma vida inteira.

Feliz seis, Kizumbinha.

 

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Publicado em 28 de maio de 2015 por e marcado , , , .
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