uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Do começo da vida deles, do (re)começo da vida da gente

puerperio(post publicado originalmente no blog Mamíferas, em novembro de 2011)

Hoje eu queria falar para as puérperas, mães de bebezinhos pititicos, recém-nascidos ou de alguns meses, mães ‘frescas’, com filhotes que ainda não completaram seu primeiro ano de vida.

Essa fase é uma fase deliciosa. Tudo tão novo, tanta descoberta, tanta maravilha. Mas exatamente porque tudo é muito novo e desconhecido, é também  uma fase delicada, cansativa e exigente.

Eu me lembro bem dos primeiros tempos com minhas filhas mais velhas. Era um misto de fascínio, paixão, insegurança, medo, cansaço, alegria, melancolia, tudo junto, tudo ao mesmo tempo agora. Um turbilhão de sentimentos, e não dava pra parar pra curtir cada um deles, porque a vida não parava um minuto, era o tempo todo tendo que dar conta de bebê no peito, fraldas pra trocar, banhos a dar, papinhas a preparar, brincadeiras, choros, demandas, enfim.

Sempre que eu vejo uma mãe passando por essa fase, tenho um desejo imenso de acolhê-la. Tenho vontade de chamá-la para sentar-se a meu lado e lhe dizer com calma tudo o que descobri mais tarde, e que teria me ajudado tanto naqueles primeiros meses: que a vida dos bebês é feita de fases, e todas elas passam muito mais rápido do que a gente imagina; que não é preciso ser mulher-maravilha nem super mãe, que almejar a perfeição é uma baita piração, e que o importante é a gente fazer o melhor que pode; que muitas perguntas vão surgir sem que a gente encontre respostas, e não é preciso sofrer por isso; que no fundo, tudo de que o bebê realmente precisa você tem pra dar, sem sacrifícios e sem sofrimento: peito, carinho, colo, toque, presença – todo o resto é supérfluo, todo o resto se passa sem; e que essa fase, por mais extenuante e complicada que possa ser, uma hora passa, e quando a gente olha pra trás, sente uma saudades que jamais imaginaria poder sentir.

Eu, hoje, com minhas mais velhas já duas mocinhas, 5 anos e meio, faladoras, irriquietas, tão dispostas diante do mundo, às vezes páro e penso: ‘caramba, passou rápido demais!’. Naquelas tardes infinitas de mamadas compridas e sono acumulado, eu jamais imaginaria que pensaria isso, um dia. Mas hoje, é assim que eu sinto.

Então, era isso o que eu queria dizer: às vezes, as coisas ficam difíceis, doloridas, a gente acha que não vai dar conta, que vai pirar no minuto seguinte, que embarcou na maior roubada do mundo com essa história de maternidade, que não tem talento pra esse negócio de cuidar de filho. Acontece com todas, arrisco dizer que sem exceção.

Mas a vida é rio, flui, caminha adiante, segue. E um belo dia, você vai olhar pro lado e ver o teu filhote distraído com uma brincadeira qualquer, um livro, um aprendizado, sem nem se dar conta da tua presença. E aí, vai dar uma vontade imensa de fazê-lo caber inteirinho entre os teus braços, aconchegado no teu colo, só mais uma vez.

O tempo não pára. É por isso que a gente precisa curtir cada segundinho, dos mais leves e divertidos aos mais complicados e cansativos, como se não houvesse amanhã. Porque já dizia a letra da canção: ‘se você parar pra pensar, na verdade não há’*.

* trecho de ‘Pais e Filhos’, de Renato Russo / imagem: google images
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4 comentários em “Do começo da vida deles, do (re)começo da vida da gente

  1. Katia Magalhaes
    3 de julho de 2015

    Sensacional!!! Obrigada!

  2. Zizamar
    3 de julho de 2015

    Ler seu texto foi um imenso prazer! Estou ainda na minha prineira gestação de 37 semanas,e sentindo muito mal com alguns mal estar. E por me sentir assim já cheguei a pensar que definitivamente entrei numa roubada em ter ficado grávida mais sei que essa fase assim como a água desce o rio o mar e oceno vai passar. Obrigado por compartilhar essa realidade de UH má forma tão mais leve e prazerosa.

  3. Claudia
    11 de julho de 2015

    Parabéns e obrigada, muito obrigada mesmo pelas belas palavras, todas elas. Tenho 38 anos e sou mãe pela primeira vez de uma menina de 4 meses. Revejo-me muito nos seus depoimentos que têm sido uma ajuda preciosa nesta fase da minha vida. Lê-los fez com que conseguisse compreender a mescla de sentimentos dentro de mim e que não conseguia verbalizar. Fez-me também conseguir arrumar as ideias e acalmar a imensa ansiedade que a maternidade traz. Mais uma vez obrigada.

  4. Vanessa Mendes
    1 de janeiro de 2016

    lindo texto, reconfortante…meu filho ainda não nasceu, mas essa fase dos primeiros meses me assusta muito justamente pela demanda que todos dizem que vou ter e que não serei mais nada…não terei tempo para nada, nao vou dormir, comer, lavar o cabelo…é difícil imaginar que será terrível assim, mas saber que serão fases com certeza alivia um pouco a angustia e sofrimento antecipado…

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Publicado em 30 de junho de 2015 por e marcado , , , , .
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