uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Leite materno: a vida líquida

smam

hoje começa a SMAM (Semana Mundial de Aleitamento Materno) 2015.

eu tive duas experiências incríveis de amamentação. somando tudo, amamentei praticamente oito anos, direto. e tenho saudades desse tempo, quase todos os dias. ter um bebê (ou dois 😉) grudadinho no peito é uma experiência incrível, prazeirosa, especial.

mas não, nem sempre é fácil. com as minhas filhas mais velhas, ana luz e estrela, gêmeas, amamentar exclusivamente foi uma batalha. e eu consegui na garra, por pura teimosia. na época, não tinha grupo de apoio, encontro de pós parto. o máximo do apoio possível era o trabalho (maravilhoso) das consultoras de aleitamento (uma delas, a linda da Márcia Koiffman, foi praticamente toda a ajuda especializada que eu tive, para não desistir). eu passei por meia dúzia de consultórios de pediatria no primeiro mês de vida delas, e de todos eles saí com uma receita de leite artificial debaixo do braço, e com a sentença de que jamais conseguiria alimentar duas bebês sem complementar. eu não conhecia nenhuma mãe de gêmeos que tivesse amamentado exclusiva – ou prolongadamente. insisti por pura cabeça dura, na raça, entre lágrimas e receios, alimentada apenas por uma certeza instintiva, nascida do fundo do coração, de que a natureza não me permitiria parir duas crianças, se eu não tivesse condições de alimentá-las sem precisar de uma lata de leite em pó.

consegui. ana luz e estrela mamaram exclusivamente no peito até seis meses e meio, e seguiram mamando até três anos e meio.

com a minha caçula, a história foi mais suave. chiara já nasceu praticamente grudada no peito, e lá ficou por praticamente um ano de aleitamento exclusivo, sem tropeços e sem dificuldades (pra quem já tinha amamentado duas, manter uma só no peito era coisa que eu fazia com um pé nas costas). mamou até quatro anos e alguns meses.

eu fico feliz demais por ver que hoje, a coisa é tão diferente. que quem amamenta tem com quem contar. que há toda uma maravilhosa rede de suporte para seguir amamentando. tem grupo de encontro presencial, tem grupo virtual, tem manual orientando (escrito por profissional humanizado), tem toda uma gama de acessórios para quem precisa, tem mamaço.

mas ainda tem o que caminhar. até que nenhum pediatra desestimule uma mulher que deseja e pode amamentar, por ignorância, preguiça ou má fé. até que nenhuma mulher seja constrangida, velada ou ostensivamente, por amamentar em público. até que ninguém mais repita, com cara de desagrado, que a criança “já tá grande pra mamar no peito”. até que amamentar seja – de novo, como já foi um dia num tempo em que a gente se esquece que aconteceu – tão natural como as outras coisas da vida, que a gente faz no instinto, sem racionalizar, apenas porque é da nossa natureza.

leite materno é mais que alimento para o corpo: é aconchego, é colo, é amor. sacia a alma (de quem mama, e de quem dá de mamar).

amamentar é coisa de bicho mamífero, que a gente é.

já dizia a poetisa: a vida é crua, a vida é líquida.

e jorra em gotas contentes do bico do seio.

‪#‎SMAM2015‬

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Publicado em 1 de agosto de 2015 por e marcado , , , .
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