uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Não precisa ser perfeito pra ser bom pra c***lho!

voadorasP-1

Maternidade: taí um troço cheio de bicos.

Tem dia que cansa. Tem dia que enche o saco. Tem dia que a gente não tá a fim. Tem dia que a gente tem certeza que não nasceu pro babado. Tem dia que a gente quer correr pras montanhas. Tem dia que tudo dá errado. Tem dia que de noite é foda.

Tem dia que tudo que a gente queria era ter um botão on/off. Ou de pausa. Ou se não desse pra ser, pelo menos um de slow motion, pra gente ir um bocadinho mais devagar. Respirar um pouco. Descansar, tomar fôlego. Mas a vida não para. Ser mãe também não.

Não, não é para os fracos (e nem para os pobres de espírito).

Mas olha, quer saber? É sempre bonito. Mesmo no desencontro. Mesmo quando a gente tropeça, mesmo quando desafina. Mesmo quando a gente desencaixa, desencanta, desconcentra e quase que desespera.

Porque bonito, não é perfeito. Nunca é. Coisa bonita da vida é assim: tem erro, tem reentrância, tem curva, tem desvio. Tem mistura que faz ter mais graça, ter ginga, ter malemolência. Tem vaivém que faz ficar mais divertido – é aquilo que faz a gente sentir que está ali, vivo, desperto, vivendo aquele momento presente que nunca sabe onde é que vai dar.

As coisas mais bonitas da vida são aquelas feitas de surpresa, pinceladas de susto. Tudo aquilo que a gente vive à espreita, alerta, querendo saber o que vai vir depois da próxima esquina, e descobrindo sempre que era tudo diferente do que a gente esperava – e ainda assim, quando a gente percebe está sendo feliz, daquele jeito inesperado que nem que a gente ousasse muito, conseguia prever.

Ser mãe não é concurso, não tem medalha: não tem que fazer tudo certo, dar conta de check-list, atender as expectativas (deus sabe de quem, ou de onde vêm, ou a quem é que a gente acha que deve alguma coisa). Tem que ir, entregar-se, aceitar o mergulho. Ir de peito aberto, de coração disposto. Ter olhos de ver, ouvidos de ouvir. Querer muito fazer o mais bonito possível, dar o melhor de si. Isso é tanto. É muito.

E tem aquela hora, ou aquelas horas muitas, que lá pra frente a gente vai olhar por cima do ombro e dizer “caramba, eu podia ter feito melhor”. Mas sabe, não. Se a gente fez como fez, é que não podia ter feito de outro jeito. Porque a gente faz o que pode, no aqui e agora, e a vida é feita disso. E é crueldade olhar o passado carregando a análise com tudo aquilo que a gente sabe e sente e pode hoje, mas não sabia nem sentia nem podia então. Porque a gente é fruto daquilo que vive, um passinho depois do outro. E se a gente pode hoje voltar os olhos para o que já foi e pensar que podia ter feito melhor, é porque a gente hoje é outra coisa – fruto de tudo o que veio antes, inclusive aquele pedaço da história que agora a gente queria poder reescrever. Se reescrevesse o ontem, o hoje não seria o hoje. Se a gente chegou aqui, foi por ter vivido o antes: daquele jeito às vezes cuidadoso, às vezes desajeitado, mas sempre dando tudo de si para fazer o melhor possível. De coração rasgado e amando muito, querendo dar tudo daquilo que se tinha pra dar.

Então é isso, é bonito assim, é bom assim, tem gosto bom desse jeito: sem perfeição. Com todos os erros ou desacertos ou rasuras que vierem colorir o desenho. Porque no fim, na lida diária da vida é que a gente descobre essa verdadezinha insolente: que perfeição é delírio besta, e que não precisa ser perfeito pra ser bom pra caralho!

(ps: onde se lê maternidade, pode-se ler paternidade também. onde se lê ‘ser mãe’, pode-se ler ‘ser pai’. porque ser pai também pode ser bom pra caralho, quando é feito de verdade e de coração aberto para o que der e vier)

 

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