uma vez mamífera

… sempre mamífera.

E hoje em dia, como é que se diz eu te amo?

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Eu olho pra trás, e me sinto uma pessoa de sorte. Sem pieguice, mesmo. De verdade.

Tenho sorte, porque aprendi a sentir e expressar o amor sem ter vergonha. Sem achar que dizer ‘eu te amo’ era sinal de fraqueza. Ou uma coisa tão, mas tão preciosa que eu deveria guardar para dizer para pouquíssimas pessoas.

Eu aprendi que o amor é uma coisa boa da gente sentir. E de dizer. E que a gente não precisa sair distribuindo ‘eu te amo’s por aí, como se nada fosse. Mas que também não precisa guardar agarrado ao peito, como se fosse um tesouro que não pode dividir com mais ninguém.

A gente poder amar, de todo coração, é das coisas mais bonitas da vida. É das capacidades mais incríveis do ser humano. E não tem porque fazer economia. Se a gente ama, pode dizer. Se a gente ama, deveria dizer. Hoje, não amanhã. Sempre. Várias vezes ao dia.

Outro dia, uma amiga estava comigo enquanto eu falava ao telefone com a minha mãe. Depois de me ouvir despedir dela com um “eu te amo” totalmente sincero, ela me disse, com os olhos rasos: ‘puxa, acho que dá pra contar nos dedos as vezes que ouvi isso da minha mãe’.

Fiquei triste por ela. E pela mãe, que deve amá-la muito (eu a conheço e não consigo acreditar que não ame), mas que não aprendeu a dizer, a colocar em palavra, a fazer o outro saber daquilo que ela tem dentro do coração, sem duvidar.

Eu cresci ouvindo ‘eu te amo’ da minha mãe, todos os dias. Não porque fosse uma coisa mecânica, mas porque o sentimento estava sempre ali. Presente. Todos os dias. Nas horas boas, nas horas ruins, nas horas difíceis. Nas brigas, nas reconciliações. O amor, entre a gente, nunca foi jogo de toma lá dá cá. Nunca foi objeto de barganha.

Todos os dias, eu olho para as minhas meninas, bem dentro dos olhos, e digo, tirando as palavras bem do fundo do meu coração: “eu te amo”. Porque quero que elas saibam, sem duvidar. Porque quero que elas levem essa certeza consigo, pela vida afora.

Amor não é coisa pra gente guardar em cofre, a sete chaves. É pra gente compartilhar. Fazer o outro saber que provoca na gente. Ainda mais filho. Que precisa tanto saber, pra crescer forte e sadio – amor faz crescer mais que arroz com feijão. Muito mais.

A vida me ensinou a não economizar afeto. A não racionar amor. A dizer ‘eu te amo’ a quem eu amo hoje, não deixar pra depois. Mãe, pai, filho, amigo, irmão, companheiro – eu aprendi a dar o amor que eu tenho em mim, sem esperar que o outro corresponda a uma expectativa qualquer. O amor que há do meu lado de dentro, se eu guardo, embota e se desfaz. Se eu dou, digo, demonstro, ele cresce, engrandece e se multiplica. Do bonito da vida.

Por uma vida com mais ‘eu te amo’s ditos em voz alta, com sorriso, sem vergonha. Por uma vida onde a gente possa dizer mais o que sente, sem tanto receio, sem se guardar sem saber pra quê.

Que nossos filhos possam crescer sabendo dizer e ouvir ‘eu te amo’, sempre como um presente em si mesmo. Porque é. Sentir e saber. Tudo é presente. Tudo é bonito. Tudo é oportunidade.

As palavras têm poder. Podem construir, podem destruir. Podem dar força, podem fazer desmoronar. O que dizemos para os nossos filhos, todos os dias, com sinceridade e de coração aberto, importa muito. E permanece, plantadinho neles, do lado de dentro.

Que possamos plantar amor em nossos filhos: com atos, com palavras. Todos os dias. Sem medo. Sem vergonha. Sem economia. Porque é assim que a vida vale a pena ser vivida: sem medo, sem vergonha e sem economia do que é mais bonito.

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