uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Escolher com o coração

euetres
(* post originalmente publicado no blog Mamíferas, em 2009)

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Já perdi as contas de quantas e quantas vezes já ouvi a célebre frase: “não importa o quanto você tente, você nunca vai conseguir ser uma mãe perfeita para as suas filhas!!”. Sempre fico me perguntando de onde foi que o meu interlocutor tirou essa idéia.
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Não, eu não tenho a menor intenção de ser uma mãe perfeita. Não tenho a mais leve ilusão de que não cometerei erros no meio do caminho, de que não mudarei de idéia, não reformularei conceitos, não terei vontade de poder voltar atrás e fazer diferente.
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Mães e pais são seres humanos. E seres humanos são imperfeitos. Estamos vivos, aprendendo, caminhando, acertando e errando. Todos nós, cada qual com seus defeitos e qualidades. Eu também tenho os meus, tanto uns, quanto outros. Ora, se sou imperfeita, e reconheço essa minha condição – e até mesmo gosto dela, já que a imperfeição é o que nos move adiante, e nos faz buscar constantemente crescer, aprender e melhorar – , como teria a ilusão de que atingirei a perfeição em qualquer coisa que faça na minha vida?
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Não tenho a intenção de ser uma mãe perfeita. Apenas tenho um desejo profundo de ser a melhor mãe que eu possa ser. De fazer tudo com consciência, de escolher com o máximo de sabedoria de que me sinta capaz. O importante pra mim é a entrega, é eu me doar à maternidade de coração aberto, pensando e repensando cada escolha, cada passo, cada direção escolhida. Não me permito ir com a boiada, apenas isso. Posso errar, e vou, sem dúvida. Mas quero errar meus próprios erros, quero viver minhas próprias quedas, e aprender com elas.
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Pra mim, entregar-se à maternidade tem a ver com escolher sempre com o coração. Nem sempre minhas escolhas como mãe são feitas com 100% de certeza, ou com um embasadíssimo suporte pedagógico, psicológico ou seja lá qual for a teoria mais adequada, mas são sempre escolhas feitas com o coração totalmente aberto. Com todo amor, com toda a entrega e dedicação de que sou capaz. Sempre pensando em fazer o melhor, procurando acertar. Se é assim, sei que serão as escolhas certas, mesmo que lá adiante outro caminho possa vir a se revelar melhor do que aquele que eu escolhi. Ainda assim, meu coração fica tranquilo, sabendo que, no momento da decisão, eu fiz a melhor escolha que podia.
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Certamente, minhas filhas crescerão, olharão para trás e pensarão em muitas coisas que gostariam que eu tivesse feito diferente. E aí, farão diferente com seus próprios filhos. É esse o ciclo da vida, que faz com que a gente esteja sempre crescendo, indo adiante, evoluindo. Um dia depois do outro.
???
Mas gosto de pensar que, mesmo que discordem dessa ou daquela escolha que eu tenha feito, elas sentirão carinho pela estrada que percorremos juntas, por cada passo que demos de mãos dadas, simplesmente porque foi um caminho percorrido com muito amor, dedicação e verdade. É assim que eu, como filha, vejo hoje minha caminhada ao lado da minha mãe. Espero que elas possam viver esse sentimento também, um dia.
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Já dizia o poeta, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. E vale. Vale mesmo.
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