uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Mães na universidade: vai ter, sim!

BEM7aRP-14

eu tenho visto aqui ali em todo lugar relatos de amigas-mães-estudantes sobre o impedimento de levarem suas crias consigo à faculdade, como estratégia para não abandonar os estudos, ou como escolha de vida mesmo. vejo impedimentos sutis, caras feias, comentários mais ou menos sutis; e vejo constrangimento ostensivo e proibição explícita: ‘não se permitem bebês/crianças aqui’.

eu fico apenas pensando: gente, pode isso? pode impedir a entrada de um grupo de indivíduos dentro de um espaço de convivência coletiva (mesmo considerando-se um espaço em que só entram alunos, bem, a criança não seria uma extensão da mãe, nesse caso? – especialmente quando se considera que, se a criança não estiver ali, a mãe também não estará?)?

eu fico remoendo aqui com os meus botões o quanto o preconceito contra as crianças, o adultismo, é um preconceito naturalizado e aceito. alguém considera a possibilidade de se proibirem idosos em um espaço qualquer? ou obesos? ou pessoas de tal raça, credo, religião? ostensivamente? o preconceito (mais ou menos, quase sempre menos) velado é um capítulo (importantíssimo) à parte, eu falo da proibição ostensiva aceita como algo normal e, inclusive, legal.

que tipo de sociedade é essa? o que ensinamos às nossas crianças, desrespeitando seu direito à convivência, à ocupação dos espaços? que mensagem enviamos às mães, quando as expulsamos dos espaços que também lhe pertencem quando optam por carregar consigo seus filhos (seja por opção, ou por falta de)? que sociedade é essa que rejeita, exclui e discrimina crianças apenas porque se comportam como… crianças?
a ojeriza da sociedade às crianças e seus comportamentos naturais e típicos de sua fase de desenvolvimento (físico, emocional, etc) é tanta, que se considera natural excluir as mães da convivência, caso não tenham como “livrar-se” de suas crias. é praticamente uma punição por tê-las colocado no mundo (punição que cabe apenas e somente às mães, já que, aos olhos da sociedade, elas fazem seus filhos sozinhas e devem responsabilizar-se por eles da mesma forma).

é obrigação da sociedade saber – ou aprender, com urgência, caso não saiba, o que vem sendo provado – conviver com crianças, respeitando suas possibilidades, suas limitações, suas idiossincrasias. ensinamos respeito, respeitando. como queremos que as crianças aprendam a respeitar o outro, se são cotidianamente desrespeitadas, obrigadas a adaptar-se a moldes nos quais não cabem, sob pena de serem excluídas da convivência?

o lance fica mais bizarro quando pensamos que muitos de nós, talvez, não cheguemos a ser idosos (a vida é sempre uma incógnita), mas todos – todos, sem exceção – fomos crianças algum dia.

talvez seja isso, precisamente. fomos crianças, sofremos todo tipo de exclusão, violência e desrespeito, e perpetuamos o ciclo reproduzindo o padrão, agora que nosso status de pessoas adultas nos confere este poder. um ciclo vicioso que precisa ser interrompido, com urgência. precisamos parar de tratar nossas crianças como adultos ‘in progress’, que hão de merecer algum respeito quando atingirem a idade necessária para tal.

vai ter mãe na universidade, sim. vai ter mãe na balada, vai ter mãe trabalhando, vai ter mãe empreendendo, vai ter mãe na passeata, vai ter mãe na luta, vai ter mãe ocupando os espaços que lhe cabem, com ou sem a cria, da maneira como ela desejar que seja.

a maternidade é compulsória (outro papo pra mais de metro) e, agora que você tem filhos, suma com eles da nossa frente? apenas, não.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: