uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Você pode trocar a sua intromissão por respeito, por exemplo!

centrao_P-50

Por que, meldels, por que? Por que é que as pessoas – completos estranhos que te cruzam no meio da rua, ou no elevador, ou na sala de espera, ou wherever – se acham no direito de colocar a mãozona nas crianças, fazer carinho (por mais “inocente” que seja) sem pedir licença, interagir com as crianças de modo invasivo, palpitar sem ser chamado?

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Sério, vocês estão fazendo isso muito errado. Por um lado, acham que criança é domínio público, que qualquer um tem o direito de chegar chegando, tocar sem autorização, dizer pra criança não chorar, pra parar de se comportar assim ou assado, dar opinião sobre a cara que ela está fazendo ou a roupa que ela está usando. Por outro lado, acham que está certinho excluir mães e crianças do convívio em sociedade, porque criança incomoda, bagunça, faz barulho, atrapalha.
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Serião, gente. Tá tudo errado.
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Quer saber? Eu troco de boas todas as passadas de mão na cabeça da criança e afagos sem pedir licença pelo fim das caras feias nos lugares públicos, quando as crianças correm, dão risada, fazem barulho e se comportam como… crianças.
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Eu troco de boas todos os “Nossa, que meninas lindas, dá uma pra mim?? Eu não tenho nenhuma!!” pelo fim dos olhares enviesados para as mães que amamentam em público sem se cobrir.
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Troco de boas todos os “Por que você tá chorando??? Que feio, menina bonita não chora!!” pelo direito de levar as minhas filhas comigo a todos os lugares onde eu quero (ou preciso) ir com elas – e isso inclui faculdades, restaurantes, reuniões, coletivos, espaços de lazer, de participação política, acadêmica, cultural e quaisquer outros.
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Troco de boas todos os “Que menina linda, pena que não fala!! O gato comeu a sua língua??” pelo fim dos perdidos dos amigos que somem depois que você se torna mãe, ou não te convidam mais pra coisa nenhuma porque ‘crianças causam’, ou porque mãe não vai pra balada, nem pra festa, nem sai com a galera (wtf?? quem foi que disse??), ou pelo fim dos “vai deixar de viver pelo seu filho??” quando você recusa educadamente um convite (que muitas vezes até estava a fim de aceitar) porque o filhote está com febre, ou está num salto de desenvolvimento, ou teve um dia difícil e não quer ficar sem você.
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Troco de boas todos os “Meu deus, mas que princesas, dá um cachinho desses pra mim??” pelo fim dos narizes torcidos e dos olhares do tipo ‘ah, se fosse meu filho!’ (não, você não faria melhor se fosse seu filho, lide com isso) a cada birra feita em público atraindo os olhares da galera.
 ???
Troco de boíssimas todos os “Vou te levar pra casa comigo, hein! olha que te roubo da mamãe! Vamos comigo?” pelo fim das oportunidades perdidas de trabalho porque ‘mas com quem você vai deixar o seu filho??’ e ‘mãe dá muito transtorno, falta quando filho fica doente, tem hora pra buscar na escola’.
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Uma dica: você pode trocar a sua mão boba nas minhas filhas e os seus palpites e gracejos não solicitados pelo respeito a elas – e a mim – como pessoas, não como bibelôs para apreciação pública, nem como estorvos a serem evitados, por exemplo. (#BelaGilfeellings)
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Obrigada.
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Um comentário em “Você pode trocar a sua intromissão por respeito, por exemplo!

  1. Natalie Catuogno Consani
    6 de maio de 2016

    isso!

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