uma vez mamífera

… sempre mamífera.

Sobre aquilo que a gente não deveria precisar explicar

pimentasORP2edit
“- Como é que eu vou explicar para o meu filho dois homens/duas mulheres se beijando??”
Sugestão:
“- Filhx. Aquelas pessoas se amam. Pessoas que se amam se abraçam, se beijam e trocam carinhos. Fim.”
Já eu estou hoje preocupada em como explicar às minhas filhas como é que em 2016 ainda há quem se ache no direito de legislar sobre o afeto do outro, e de ameaçá-lo, caso ouse escapar às suas definições pré-determinadas.
Eu estou preocupada em explicar para elas como é que há gente que agride, violenta e mata, porque não aceita o amor em suas múltiplas possibilidades.
Estou muito preocupada em explicar para elas que há pessoas que se amam, que querem estar juntas, que escolhem viver seus afetos da maneira como desejam, e são discriminadas, xingadas, agredidas por isso.
Estou muito preocupada em explicar para elas como, em 2016, ainda convivemos com gente que quer decidir como o outro deve viver a sua vida, e esconde seu preconceito e sua ignorância atrás de um discurso religioso, ou pseudo-religioso.
Estou preocupada em explicar para elas como, em 2016, ainda há quem viva com medo de sair à rua abraçado à pessoa que ama, porque esse abraço pode lhe custar sua integridade física.E pode lhe custar a vida.
Estou muito preocupada em explicar para elas como convivemos, no mesmo lapso de tempo e espaço, com gente que bate no peito para reproduzir orgulhosamente suas opiniões preconceituosas, defendendo-se com a desculpa esfarrapada do “é só a minha opinião”.
Estou realmente muito preocupada em explicar tudo isso para elas. Mas a explicação lá de cima, eu daria com um pé nas costas. Aliás, nem precisaria. Porque elas cresceram compreendendo e convivendo com a liberdade, a pluralidade e o respeito muito melhor do que muitos adultos.
Outro dia, uma delas, ao ver uma foto minha com uma amiga, me perguntou:
– Mãe, sua amiga é casada?
E, diante da resposta positiva:
– Com um moço ou com uma moça?
Assim. Sem teorias a respeito. Fora das caixinhas. Com respeito. Com naturalidade. Como deveria ser sempre.
Para quem estiver preocupado em dar a uma criança a explicação lá de cima, eu troco de lugar sem pensar duas vezes. Topa se encarregar de todas as outras explicações listadas abaixo?
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